08/07/2010

I Congresso sobre Arquitectura e Alzheimer

Parece cada vez mais claro o efeito terapêutico que a arquitectura tem no tratamento de diversas doenças. Uma influência que se acentua ainda mais quando a doença que se diagnostica é Alzheimer. Esta é uma das principais ideias reflectidas durante o I Congresso sobre Alzheimer e Arquitectura que se celebrou no Centro Alzheimer Fundação Rainha Sofia (CAFRS), em Madrid, organizado por Clece.

 

18 de Junho de 2010.- Sob o título “A arquitectura das recordações”, o evento foi especialmente destinado às Associações de Familiares de Doentes de Alzheimer que, devido à grande procura, estão a empenhar-se em projectos de promoção e construção de centros especializados nesta doença. Foram transmitidas normas e conselhos práticos tanto de índole administrativa como de design, normativa, etc., com a participação de arquitectos de prestígio e de gestores especialistas nesta matéria. Diversos grupos envolvidos abordaram como colocar o design arquitectónico e a gestão dos espaços ao serviço dos pacientes de Alzheimer. Mais de 450.000 em Espanha.

Entre outras questões, os oradores colocaram em relevo a importância de adaptar, criar e/ou ampliar centros especializados, onde o design arquitectónico é fundamental para os pacientes, já que os estudos demonstram que a interacção com o ambiente físico pode minimizar alguns efeitos negativos próprios da doença. Dessa forma, falaram de outros temas de carácter técnico ou administrativo ligados a estes projectos.

Declarações

Segundo Manifestou José Ramón Menéndez Aquino, Director-Geral do Mayor de la Consejería de Familia y Asuntos Sociales de la Comunidad de Madrid, “o Centro Alzheimer Fundação Rainha Sofia tem como grande objectivo fazer face de modo integral às consequências da doença não apenas entre quem a sofre directamente, mas também entre os seus familiares. Daí a utilização intencional das cores, a iluminação, as texturas ou os murais paisagísticos, sem esquecer as unidades de convivência, concebidas como zonas de encontro e relação em ambientes domésticos”. 

Por seu lado, Carlos Lamela, arquitecto responsável pela concepção do CAFRS, sublinhou em relação ao Centro que “o projecto era um repto devido à falta de experiências prévias realmente equiparáveis. Procurava-se um espaço em que convivessem a investigação, a formação e, o mais importante de tudo, a atenção aos pacientes num ambiente o mais próximo possível à sua própria casa. A tudo isso havia que acrescentar a aplicação de um conceito de modularidade que permitisse ampliações futuras e a sua exportabilidade, para favorecer a sua reaplicação noutras cidades e regiões”.

Um centro pioneiro 

Dos benefícios que o ambiente pode ter no paciente de Alzheimer, deixa constância a própria sede do Congresso: o Centro Alzheimer Fundação Rainha Sofia (CAFRS). Em funcionamento desde 2007, trata-se de um complexo assistencial pioneiro em Espanha e em toda a Europa nesta matéria promovido pela Fundação Rainha Sofia. Consta de quatros espaços: uma residência de 156 quartos, um Centro de Dia para 40 utilizadores, um Centro de Formação e uma Unidade de Investigação.

Entre as melhorias de arquitectura e design aplicadas ao serviço dos doentes de Alzheimer, a residência distribui os residentes por grupos homogéneos segundo o estado da doença. Além disso, as instalações possuem soluções de iluminação e códigos de cores que favorecem a orientação dos pacientes.

A titularidade dos três primeiros espaços corresponde à Consejería de Familia y Asuntos Sociales de la Comunidad de Madrid, quem tem adjudicada a gestão integral dos mesmos a CLECE, empresa pertencente a ACS e líder em Espanha em prestação de serviços sociais. Segundo Laura Fernández Colmenero, Directora Técnica de CLECE e máxima responsável desses três espaços, “com este Congresso, que faz parte de uma programação habitual de fóruns de debate e reflexão, quisemos continuar com o nosso compromisso para com os familiares das pessoas doentes de Alzheimer, merecedores de todo o nosso apoio, facilitando através de espaços adequados, a convivência da pessoa doente de Alzheimer com o seu ambiente próximo”. 

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